A moda nada tem de superficial



Ainda hoje, o interesse por roupas tem sido considerado um passatempo trivial de mulheres ocas. Assim muita gente me rotula, por gostar e tentar andar sempre bem arranjada, sou chamada de dondoca e superficial. No entanto, a roupa é importante, quer nos interessemos ou não por moda. Afinal, toda a gente tem de andar vestida...
Prefiro ser considerada de superficial por realmente gostar muito de moda, do que ter ar de desleixada. Ter uma boa aparência é importante, sempre foi e sempre será.
A verdade é que o que vestimos conta uma história, e que história!
A Segunda Guerra Mundial, fez com que as mulheres vivessem com extremas privações e no entanto, podemos dizer que a guerra democratizou a moda.
É fácil ter estilo quando as lojas estão saturadas de roupas baratas, fabricadas na China, mas mesmo assim, há muitas mulheres que preferem chamar superficial e oca a quem trabalha para ter uma boa imagem, do que fazerem o mesmo por si próprias. A essas eu chamo de preguiçosas.
Na altura da guerra a moda atingiu um ponto de estagnação, até os mais ricos tinham de se cingir ao vestuário prático adequado aos abrigos antiaéreos. Um casaco de Vison tinha valor acrescentado como um casaco verdadeiramente quente, entretanto saíram de moda e voltaram agora mas em pele sintética.
As mulheres sobreviveram à guerra usando o que já possuíam ou modificando-o - era a doutrina do aproveitar e remendar. Mesmo em tempo de morte e horror, continua a ser necessário vestir alguma coisa e essa foi uma luta hercúlea para as mulheres sofisticadas da altura. Os conhecidos artifícios do traço pintado na perna para simular a existência de um collant com uma costura atrás, a introdução do tacão de cunha feito de cortiça e os estilos utilitários com as suas saias justas, eram todos formas de restrição no vestir impostas pelas circunstâncias. Em relação à beleza, as mulheres usavam beterraba e outras plantas do jardim para fabricar tinta de cabelo. Mas, em momento algum, foi dito ás mulheres que deviam esquecer o vestuário e a maquilhagem por se estar em guerra. Apesar da dificuldade em arranjar batom, a boca pintada era conhecida por "o símbolo vermelho da coragem".
A moda e a beleza eram a forma como as mulheres levantavam o ânimo e era um prazer fundamental para elas e para os marinheiros e aviadores que as podiam admirar - criar um traje refinado e maquilhar o rosto fazia parte do esforço de guerra, ou seja, a moda e a beleza fazem parte do factor optimismo.
Quando os homens vinham a casa de licença, certamente queriam encontrar beleza e não desleixo.
Posso também falar daquelas mulheres que passaram horrores indescritíveis nos campos de concentração: carecas e tiritantes, cobertas de chagas e piolhos que receberam batons da cruz vermelha britânica e que, no imediato, voltaram a sentir-se seres humanos e não o que os nazis designavam de "bocados de carne". O desejo de parecerem bonitas sobreviveu quando tudo o resto lhes tinha sido retirado. Um instinto destes, que é capaz de resistir à destruição quase total da personalidade, nunca poderá ser descrito como superficial!

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