Sapatos ou uma nova forma de tortura




O meu amor por sapatos é bem conhecido e chegou muito antes de conhecer Carrie Bradshaw. Penso que já nasceu comigo e revelou-se depois de ouvir a história da Cinderela, afinal, um sapato transformou a vida dela!
Aconteceu alguma coisa aos sapatos. Não consigo caminhar com a maioria deles. Não é essa a sua função?
Os sapatos são beleza, tornam uma mulher desejável, são, por si só, objectos de amor, mas eu tenho de conseguir caminhar com eles!
Não sou, nunca fui e nunca vou ser defensora de sapatos robustos e práticos, o meu ADN foi corrompido pelos sapatos de cristal. Tenho sapatos de plataforma, de cunha, stilettos, peep toes e abertos atrás. Sapatos com biqueiras bicudas, redondas e quadradas. Já tive um par de alpercatas de cunha brancas. Mules azuis com salto bronze. As minhas botas de plataforma azuis turquesa, pesadonas e outras de camurça branco sujo com bolinhas pretas na sola. Sapatos lindos, lindos, lindos e com os quais conseguia fazer quilómetros tranquilamente.
Recentemente, comecei a temer os sapatos e a sentir-me relutante em comprar mais um par. Comprar sapatos tornou-se numa expedição cada vez menos bem sucedida porque não arranjo sapatos com que possa caminhar e eu também não os quero só para encher prateleiras. Tal como Linda Grant citou: " Há um nome para os sapatos que são vendidos hoje em dia, chamam-se sapatos carro ao bar." A pessoa só precisa de percorrer a pequena distância, o terreno irregular entre o carro e a entrada do destino, alguns passos titubeantes, antes de se alapar no banco do bar, cruzar as pernas, levar a bebida aos lábios e começar a engatar homens. Uma ideia fabulosa, mas nada relevante para a minha experiência pessoal, é que, quando saio do carro é para ir a vários lados ou até a uma festa onde tenho de passar horas em pé e gosto de dançar. Também costumo ir trabalhar de saltos.
Qual é então a ideia de sapatos impossíveis de usar? Porque é que não há mais nada disponível nas lojas, tirando sabrinas com solas mega finas que me fazem sentir todas as pedras da calçada ou Uggs e crocs que para mim só servem para andar em casa?
Perturba-me a ideia de estar a limitar a minha capacidade de me deslocar. A dor causada por sapatos desconfortáveis irradia por todo o corpo. Quero sapatos bonitos, elegantes e de salto alto com os quais possa caminhar sem parecer uma deficiente. A quantidade de sapatos que tenho em casa só para decorar é ridícula, mas eu não consigo andar com eles: ou escorregam dos pés, ou magoam os dedos e o calcanhar, ou saem-me dos pés a cada passo que dou, ou ainda me fazem andar a torcer os pés por terem uma sola tão pequena. AFF! Não se pode. Juntando a isso, ainda temos a nossa espectacular calçada portuguesa, cheia de saliências e buracos, totalmente própria para desfilar os mais belos sapatos de salto agulha. Só que não!


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2 comentários:

  1. Realmente! Ou é 8 ou é 80 ... ainda não consegui encontrar umas sandálias, que sejam confortáveis, bonitas e altas. Parece que a maioria dos sapatos foram feitos para calçar e andar de cadeira em cadeira, em vez de caminhar. :)

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  2. Pois eu não aguento saltos altos, bem tentei pois são lindos.
    Beijinhos

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