O difícil processo de sair à noite




Quem me viu e quem me vê.... Eu era aquela que, se não saísse à noite no fim de semana, a semana nem me corria bem!
Agora, é preciso um pequeno milagre para eu estar a descer as escadas de casa com uns sapatos bem escolhidos, uma roupa mais sensual, uma maquilhagem marcante e uma carteira a condizer. É também um milagre eu conseguir chegar a casa sem ter desmaiado ou morrido.
Nenhuma casa, alguma vez, foi tão espectacular como aquela que eu acabei de deixar...
Sair à noite é sempre uma óptima oportunidade para praticar a minha criatividade, inventando outro nome e outra vida e até um emprego para lá de fantástico. Isto, se estiver para aí virada ou depois de virar uns copos goela abaixo, pois antes disso, tudo parece feio e desinteressante. Infelizmente, é essa a realidade, na maioria das vezes. Eu culpo esta nova moda da Kizomba - Kizomba no sistema de som e pimba na apresentação - qual Ana Malhoa.
Oh, my eyes, my eyes! Oh, my ears, my ears!
Entro no bar e encontram-se lá dentro, com sorte, cerca de 200 pessoas. Está tudo escuro e mal consigo perceber onde meto os pés ( se tiver degrau, já foste ), enquanto tento habituar o nariz à mistura mortífera de cheiros - álcool, tabaco, suor, perfumes - de repente vejo uma luz directa na minha cara que me faz ficar completamente cega e em lágrimas, é o fotografo do estaminé que decidiu tirar uma foto ao meu marasmo. Atiro-me à multidão com o intuito de chegar ao balcão e afogar rapidamente esta visão do inferno. O barmen vê-me e ignora-me. Talvez seja porque trouxe algo vestido por cima do meu soutien! Ao mesmo tempo, tenho atrás de mim, alguém que não tem pudor algum em manter-se encostado a mim e a respirar para a minha nuca. É aqui que vejo que o exercício físico que pratico durante a semana, ao menos serve para me conseguir manter firme e hirta, como se fosse uma parede onde alguém se encostou para descansar um bocadinho. Isto é porreiro, muito porreiro. Adoro ter de suportar o peso e o bafo de um completo estranho. Só que não.
Finalmente sou atendida e tento, aos encontrões pelo bar fora, descobrir um lugar onde consiga beber o meu copo sem entornar metade da bebida em ninguém.
Os bares, assim como a Cabovisão, padecem do mesmo fenómeno: 200 canais e nada para ver. 200 pessoas e ninguém para apreciar.


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2 comentários:

  1. Ahahahahaha ... subscrevo inteiramente o post! :D

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  2. Adorei o que escreveste xD é que é exactamente isso que sinto quando vou a um lugar desses e só mesmo depois de um copo ou dois é que fica tudo bonito e animado. (Se calhar é mesmo da idade...!)

    MORNING DREAMS

    Sofia Silva, Beijos*

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