Crónica de Isabel Stilwell para a revista Máxima de Abril


Há textos que têm de ser partilhados, porque nos dizem algo, nos tocam e nos fazem pensar.
Esta crónica fez-me rever-me em muitas frases e, como eu, devem haver muitas outras mulheres na mesma situação.
Leiam e tirem as vossas conclusões:



"" No namoro as pessoas despem-se para ir para a cama, depois casam e vestem-se para se deitarem juntas".
Há dias, ao entrar numa das muitas lojas que se dedicam quase exclusivamente a vender pijamas, a citação veio-me à memória. Bastou um relance para a fila de mulheres a pagar na caixa para desconfiar que a vida sexual das portuguesas não anda lá grande coisa. Um estudo recente indica que 35% das mulheres sofrem de falta de desejo sexual, número que muitos especialistas garantem que peca por defeito, subindo para os 50%.
Decididamente, deitar as culpas para o pijama é demasiado fácil. No fundo, é o equivalente a sugerir que tudo correria bem se investissem em lingerie.
Será mais próximo da verdade sugerir que o verdadeiro problema está nas pessoas que os usam e se acomodam à rotina, adiando o sexo para último, como um soporífero, justificando-se com a máxima de que o prazer só é legítimo depois do dever. Reside naquelas que estão convencidas de que a vontade de fazer amor surge do nada, depois de dias em que não se trocaram gestos de sedução e de erotismo e em que funcionaram para o outro como homem/mulher invisível - mais depressa o colega do escritório repara no corte de cabelo ou da barba do que a cara-metade que, muito francamente, parece já não olhar, pelo menos com olhos de ver.
Não é difícil chegar a este ponto. Em menos de nada, a vida em comum torna o marido e mulher gerentes de uma mesma empresa: as SMS românticas ou de ansiosa antecipação tornam-se listas de supermercado ou delegação de funções. Quando há filhos, o cansaço pode ser tal, já para não falar da privação de sono, que o desejo entra num coma induzido de que se pode nunca mais acordar. Mas, às vezes, as crianças são apenas a desculpa fácil, mascarando a atracção que foi desaparecendo, em consequência de mal-entendidos e zangas que se varreram para debaixo do tapete. Afinal, se o desejo sexual nasce antes de mais na cabeça, e parece que sim, é pouco provável que quem se sente deprimido, rejeitado ou preocupado seja capaz de sentir prazer. Muito menos quando se envolve com o "inimigo".
É claro que o débito conjugal vai acontecendo e diz a estatística que os casados têm uma maior frequência de relações sexuais que os solteiros, mas, quando inquiridas, muitas mulheres confessam que se limitam a cumprir um "dever", com medo que eles vão procurar outro colo.
Mas se a culpa não é dos pijamas, também não é das relações longas, mas daquilo que se faz delas. Não é obrigatório que levem pontuação máxima na escala de aborrecimento sexual ( existe mesmo ), mas se continuar a tratar o desejo a pontapé vai lá chegar de certezinha.
"É possível desejar o que já temos? Esta é a pergunta para um milhão de dólares", começa por dizer e acaba a constatar o inesperado: os casais que conseguem preservar o desejo são os que já não acreditam que a vontade de "ir para a cama" cai dos céus enquanto se dobra a roupa que se apanha do estendal. São aqueles que sabem que o sexo bom tem de ser premeditado, intencional, com hora marcada!
E, já agora, só mais um conselho extra: da próxima vez que passar por um daqueles cartazes à beira da estrada que anunciam um motel, tome nota que a pernoita é mais barata. É a hora em que ninguém lá vai para vestir o pijama e dormir uma noite descansada!"

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