Temos o direito de não andarmos sempre felizes



Acho, e sempre achei, a necessidade de felicidade constante, uma paranóia e até um tanto ou quanto psicopata.
Nós podemos e devemos ser felizes, mas ser feliz não significa estar sempre a rejubilar de alegria. A vida é feita de momentos e sentimentos díspares, com oscilações de emoções e humores e é tudo perfeitamente normal.
Parece-me absurdo ver pessoas saudáveis entupirem-se de medicamentos para não sentirem tristeza, angústia, dor ou solidão, como se isso não fizesse parte da vida. Como se isso não fosse natural.
Há dias cheguei ao supermercado e o empregado disse-me que eu estava muito triste e que não devia andar assim. Esse comentário irritou-me de morte. Primeiro, eu não estava triste, só andava à procura de alguma coisa para comer e, como é óbvio, não me andava a rir para as prateleiras. Segundo, o que sabe ele sobre a minha vida para me dizer como devo ou não andar? Terceiro, não me lembro de lhe dar confiança para me dizer como devo viver a minha vida.
Odeio pessoas!
Lamento desiludir, mas tenho o direito de não andar sempre feliz e tenho as minhas razões, independentemente da opinião alheia. Os meus sentimentos só a mim dizem respeito e só posso lidar com eles da maneira que me convém e que sei.
Nunca foi meu desejo passar pela vida anestesiada, com um sorriso no rosto e uma euforia constante, mesmo em alturas de perda, de luto e de dor. Quero sentir tudo como é.
A vida não é um anúncio de margarina. Lamento informar, mas isso não existe, não é real e muito menos normal.
Ninguém acorda feliz e saltitante todos os dias. Ninguém é absolutamente seguro e confiante. Ninguém é feito só de qualidades e a vida não é formada unicamente por bons momentos. Tudo é necessário para o nosso crescimento, amadurecimento e para a nossa evolução emocional e espiritual. Não podemos, nem devemos passar  por cima do que sentimos. Não dá para agilizar, esquecer, de uma hora para a outra, as nossas dores e os nossos medos. É essencial que se viva cada um deles, faz parte da vida e é assim que superamos e crescemos como indivíduos.
Mais cedo ou mais tarde, independentemente do que tomares, o que tentaste abafar vai voltar a assombrar-te e, se calhar, volta muito mais forte. Temos de nos permitir viver, seja lá o que for que estejamos a sentir e a aprender a lidar com essas emoções, pois fazem parte de nós, da nossa história.
Não se devem pular etapas, desrespeitar os sentimentos, reprimir a dor ou a angústia ou seja lá o que nos atormente a alma.
Isso não significa que sejamos pessoas infelizes, significa apenas que somos humanos.
Ser feliz é muito diferente de fingir estar feliz. Podemos ser felizes mesmo sentindo dor, medo, vergonha, tristeza e etc. A felicidade não é ter uma vida perfeita.É sim, ter uma vida bem vivida e sentida.


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