O espelho não deve ser um campo de batalha



Quem nunca se olhou ao espelho e parece que, em segundos, ele sugou-nos a réstia de energia positiva que vivia em nós?
Há dias em que deixo o closet em estado de calamidade, pois nada do que visto, me fica bem. E esse dia, será um dia mau, certamente!
Tenta-se interiorizar: é só um corpo, é só uma roupa, não é nada de especial. Mas é. É.
Ouvi dizer que ter pensamentos opostos na nossa cabeça, é sinal de inteligência. No mundo que corre, alguém quer saber disso para alguma coisa? O que importa é a embalagem, mais nada.
Não creio que seja a beleza que me defina, talvez seja o mau feitio, mas se eu não me sentir bonita, não fico bem. O dia parece que não corre.
Ultimamente, estes pensamentos contraditórios têm inundado a minha cabeça. Sentimo-nos pressionadas pela sociedade para parecermos o nosso melhor, para desafiar os sinais da idade, aparentarmos ser sempre jovens, lindas e com tudo no sitio. O tempo não perdoa e a sociedade também não.
De há uns anos para cá, engordei 10kgs. Não estou gorda, nem me sinto gorda, mas ganhei muita barriga. Obviamente que não me sinto bem, já para não falar do meu cansaço  crónico que parece que carrego o mundo às costas. Claro que as pessoas começaram logo a falar e a criticar - algumas até tiveram a distinta lata de me perguntarem se estava grávida. Houve uma criança com 4 anos que me disse que eu parecia grávida. Porquê? Porque ela ouviu alguém dizer isso e lembrou-se de reproduzir o que ouviu a mim. Como é que me senti? Mal. Senti-me como se tivesse cometido um crime.
Tentei de tudo: comer menos, comer melhor, comer só legumes até enjoar, comer mais fruta, fechar a boca a toda e qualquer tentação, comecei a fazer exercício físico, tentar controlar as horas de sono e contrariar o cansaço. O que é que eu consegui? Continuo com o mesmo peso, a mesma barriga e exausta. Fui ao médico, fiz exames e não acusou problema nenhum. Brevemente irei novamente, nunca se sabe. Cada dia me sinto pior e já não sei se é físico ou mental!
Entretanto, a minha barriga diminuiu um pouco, nada considerável. O médico disse-me que nunca, por muito que faça exercício e só coma "ervas", irei ficar com uma barriga lisa porque sofro de retenção de líquidos, obstipação e má circulação e não faz parte da minha genética. Fiquei triste, confesso.
Tenho 36 anos e, se tudo correr bem, vou continuar a envelhecer e cada vez será mais complicado controlar o peso. A gravidade também está aí a meter-me as peles para baixo. E quê? Vou ficar triste o resto da minha vida só porque não tenho o corpo da Madonna?
O médico disse-me: " Você é linda, é elegante, tem uns olhos belíssimos, uma boca sensual, um cabelo brilhante... é mesmo um problema tão grande ter barriga? Toda a gente tem defeitos."
QUE CHAPADA!
A verdade é mesmo essa - de todo um conjunto de características, porquê focar-se num defeito? Só se vê e dá valor ao que é menos bom. Em 100%, se 10% está mal, é exactamente esse que se vai destacar. Mas para quem?
Pensa nas pessoas que amas e na razão porque as amas. A resposta está longe de ser porque têm um corpo bonito, mas sim porque te fazem sentir bem e feliz. Certo? Agora pensa no sentimento que queres causar nos outros. Queres suscitar inveja ou queres que se sintam bem e felizes com eles próprios?
Cuidar do corpo e da beleza é óptimo e importante, mais não seja porque nos traz amor próprio, mas não devemos aspirar ao impossível. O mais importante de tudo é mantermo-nos saudáveis, independentemente do peso ou do tamanho de roupa.
Ousemos passar a gostar também das partes menos perfeitas de nós, aquelas que é suposto querermos mudar e acabemos com a batalha no espelho, pois a aparência é só um detalhe de um todo que é, sem dúvida, muito interessante.

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