Breve reflexão sobre ser uma cabra


ca.bra
( latim capra, - ae )
substantivo feminino
...
[informal, depreciativo] Mulher de mau génio ou que berra muito.
                                       Prostituta, rameira.


Confesso: não tenho, nem nunca tive talento para ser simpaticazinha. Eu tentei, a sério que tentei, mas só consegui obter uma vida tóxica e perder-me de mim.
Fi-lo porque era suposto e estava sempre a ouvir: " Porta-te bem. Ser simpática não custa nada e só tens a ganhar!" Ganhar o quê?
É duro, e no fim de contas só ganhei frustração!
Além disso, todas sabemos que as cabras é que saem sempre por cima.
Conhecem alguém super simpático, amoroso e generoso que nunca tenha sido usado e espezinhado a bel prazer dos outros?
O termo "cabra" que estou a usar não é o que vem no dicionário, não se refere a uma pessoa estúpida, mal educada, má ou sizuda. Trata-se de alguém que não entra em atitudes derrotistas, nem se impõe abusivamente aos outros. Não entra em discussões estéreis e não se rala com isso. É única e exclusivamente alguém que fala o que pensa, sabe o que quer e dá prioridade aos seus interesses e bem-estar.
De há uns tempos para cá, apercebi-me que, aos poucos, e porque tentava corresponder ao que os outros esperavam de mim, porque tentava ser simpaticazinha, me fui anulando e tornando numa pessoa insegura, fútil e ressabiada.
Não quero com isto dizer que sou carrancuda ou antipática, não sou. Há um mundo de diferenças entre ser simpática e ser simpaticazinha e, agora, tenho a certeza que estando em sintonia com o verdadeiro eu, me ajuda a ser mesmo simpática. Especialmente para mim própria.
Podemos sentir dificuldade em assumir o termo "cabra" para nós próprias. Podemos pensar que reforça a imagem negativa que carregamos connosco. Se digo o que penso, sou uma cabra.
Qual é o problema? Estamos a portar-nos mal? Ou estaremos a fugir do que nos foi destinado? Ser simpaticazinha....
Não me parece.
Aquelas "outras mulheres", essas sim é que são cabras.
É preciso reconhecer que, houve e há, momentos na vida em que ser cabra teve muita graça. Então, se já tenho a reputação, vou merecê-la!
Todas já passámos por isto: " a não-sei-das-quantas pensou mesmo que tu eras uma cabra". O que fazemos a seguir? Tentamos provar, por a+b, que essa consideração é errada e temos de nos desculpar, mesmo que nem saibamos bem pelo quê. E se, em vez disso, agradecêssemos?
Já agora, o que é que se chama a um homem que fala o que pensa e que é exigente consigo próprio e com os outros?

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