Aprender a estar sozinha




Estou cansada. Aliás, estou exausta. Assim, de uma forma como nunca me senti antes.
Queria escrever em forma de desabafo, mas a angústia precede. As palavras andam aos pontapés na minha cabeça, só que não fazem sentido, não constroem frases!
A vontade começa a desvanecer-se.
Já vivi com coisas más e já tive momentos muito difíceis. Todos temos problemas, mas há que admitir que há pessoas com mais problemas que outras. Mesmo assim, sempre me esforcei por ser uma pessoa alegre e de bem com a vida. A gente cai, volta a levantar-se e sai uma pessoa mais forte e melhor. O mundo não espera.
Cada vez mais fico desapontada com as pessoas e como elas vivem. As pessoas são mesmo reles, ingratas e sem o mínimo de empatia e respeito pelos outros. Pensam que só têm direitos, não têm deveres. Está claro para mim que os valores estão completamente distorcidos. Pergunto-me, como alguns conseguem dormir à noite? Os anos passam e a vida passa ao lado. O que importa são os cargos e as coisas que compraram para poderem mostrar aos outros. Cuidar de quem está ao lado? Agora não, que há mais qualquer coisa a provar aos outros. Pois que até aquela pessoa está sempre ali, à espera de uma migalha de atenção, não vai a lado nenhum.
Ando pelas ruas, a fazer tarefas em piloto automático e observo grupos de jovens a conversarem, a rirem e a tocarem-se e o espaço vazio à minha volta é pesado. Parece que carrego o mundo às costas.
Ninguém se aproxima. Ninguém está disposto a partilhar esse fardo. As pessoas não ficam confortáveis com a solidão!
A solidão não é só física. Podemos estar rodeados de gente e, mesmo assim, sós.
Há uma diferença abismal entre estar sozinho e sentir-se só. E não é só um sentimento da psique, percorre-nos o corpo. Estar só é essencial para a criatividade e pôr os pensamentos no lugar. Já a solidão tem consequências físicas mortais, tais como doenças do coração e demência.
Sempre gostei de estar só. Nunca tive medo dos meus pensamentos, de me conhecer a fundo, de saber o que guardo nas profundezas da alma. Acredito que é assim que nos tornamos seres independentes, que compreendemos o que nos faz sentir bem ou mal, com as ideias no lugar e objectivos claros.
Temos de aprender a ter um propósito na vida. Perguntar-se se é mesmo assim que se quer viver, se são estes os amigos que se quer ter, se as pessoas com quem se passa tempo reflectem quem queremos ser, se estamos a fazer tudo o que poderíamos. Temos de aprender a valorizar-nos e a ser tudo aquilo que temos potencial para ser, em todos os momentos. Não fazer uma coisa só porque o teu companheiro não quer que faças. Não mudares a tua maneira de ser só para agradar a outra pessoa. Questionar-te: Isto é realmente quem sou? Isto é realmente o que quero fazer? Isto irá fazer de mim uma pessoa melhor?
Ninguém sabe mais de nós que nós mesmos. Sim, mesmo os que são mais velhos e vividos. Ninguém sabe melhor que nós o que nos faz felizes.
Eu sempre procurei ter amor na minha vida. Isso é o mais importante para mim, o que enche a minha vida de luz. Ter amor, sentir-me amada, segura e protegida. O resto é paisagem.
O problema é que o amor está escasso nas prateleiras das lojas - precisa ser actualizado, feito no tamanho e corte correctos. O amor suscita vergonha. Ironicamente, se tivermos amor, somos uns trouxas ou esquisitos. O amor suscita desconfiança. A desconfiança que é só fogo de vista ou muito recente, já já termina.
Quão desolador é viver assim?
Temos de nos tratar melhor. Usar o tempo que temos neste mundo para fazer mais do que contar dias, corações partidos e sonhos desfeitos.

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9 comentários:

  1. Palavras da alma, do coração... das melhores que já escreveste!
    E como concordo contigo...

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  2. É tão verdade e tão genuíno este texto, adorei.

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  3. Pois meu anjo, as tuas palavras... são as minhas também... e quando penso que estou com pessoas de bem, de um momento para o outro, revelam-se e... "tu também és assim"... as pessoas vivem tanto uma mentira, que elas próprias passam a ser uma mentira... e penso para mim, vira a página e segue em frente... mas já estou farto de virar páginas, já tenho o dedo com calo e a boca sem saliva...

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  4. Pois meu anjo, as tuas palavras... são as minhas também... e quando penso que estou com pessoas de bem, de um momento para o outro, revelam-se e... "tu também és assim"... as pessoas vivem tanto uma mentira, que elas próprias passam a ser uma mentira... e penso para mim, vira a página e segue em frente... mas já estou farto de virar páginas, já tenho o dedo com calo e a boca sem saliva...

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  5. Pois eu gosto muito de passar tempo comigo. E tenho um círculo ultra restrito de pessoas com quem sei poder contar. As outras não me interessam.

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